terça-feira, 24 de março de 2009

Com licença poética, Adélia Padro

Pensei em colocar no perfil novo, um poema sobre um anjo de Drummond, mas re-li e nao era aquilo, pra minha sorte ele deixou filhos tortos...
Entao fui pra Chico Buarque de Holanda, era quase isso...
Ouvi uma musica de Torquato Neto.. ele passou perto...

E entao Adélia Padro me salvou, e encontrei nas palavras dela o mais perto do que queria dizer:

´Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.´

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